quinta-feira, 28 de janeiro de 2010

Não há dia desde o primeiro em tua presença
Que não repouse meus pensamentos em ti.
Deito-me sobre a sombra serena
E deleito-me nos sonhos vãos de um querer
Vão.

As tristezas do não te ter
Provocam em meu ser
constantes alegrias.
(e a rima pobre, que seja)

Não acariciar o teu rosto
Nem emaranhar meus dedos em teus castanhos cabelos.
Não beijar os teus olhos-
Estrelas terrenas-
Enquanto dormes.
Não ter meus lábios sobre a tua boca morena.
Nem ser tua serva,
Inferno,
Ou paz.

E com a leveza de quem acaricia o vento
Queria tocar-te ao menos uma vez.
Rasgar a tua face com algo além do silêncio
Coragem.

quinta-feira, 14 de janeiro de 2010

ÈPA BÀBÁ



Eu que nesse raiar não vi o atear dos teus fogos. Tive fé, mas me faltaram os pés para seguir o caminho do sagrado-profano, quis orar em minha una procissão.
Sei que bom começo de tudo é o Bomfim, mas de começos bons estou farta. Sem o fardo de felicidades alheias levanto-me hoje rogando por tua benção.

domingo, 10 de janeiro de 2010




Como quem sente onde os pés querem levar, fui. O cigarro, o café e os farelos dos mitos pelo chão, pés descalços.
Toquei o solo de pedras e águas sem sal. Doces sorrisos, portas abertas e corações.
Como bom cachorro vira-lata que sou, logo me dôo a carinho pouco. A mãe zelosa, o alquimista, a malandragem refinada, o dourado do cabelo e pele gentis, a luz daquele que poderia lumiar minha solidão, a eterna companheira, os olhos profundos, o menino-homem bom... Alma de pessoas boas, respondo-te onde estão.
Da dura rocha oculta em mim brotou a flor esquecida. A fé e o amor de pétalas brancas e brandas como a brisa fria daquelas noites que tocava o meu rosto e esquentava o meu pulsar.
Sentir-se pequena, perceber o vazio que em mim se faz é lançar-se ao infindo. Voltando as raízes senti o que da terra se deve levar. Mesmo que não haja justiça no amor ou em nada, isso agora me parece pouco. Queria pedir aos teus olhos que não fujam mais, mas de nada adianta a beleza da voz quando se tem no silêncio a certeza do seguro.

quinta-feira, 13 de agosto de 2009

Cebola

Era a primeira vez que iria utilizar o conhecimento que aprendera com a filha de um pai que já se foi, mas ainda rege muitos dos passos dados. “É preciso respeitar as camadas da cebola”, e assim foi feito. Primeiro ao meio; aquela faca tetânica deslizava sem dificuldade por uma de suas linhas levemente esverdeadas. Depois de observar as duas metades igualmente definidas repetiu o ato. Aquele quarteto distribuía-se em cima do prato amarelado de uma forma tão isonômica que clamava por contemplação. Seus olhos fitavam trêmulos aquele quadro, e a contemplação tornou-se a doce forma de adiar as lágrimas que viriam do ardor, enxofre-vapor, que a esperava.
Para distrair-se dos pensamentos sobre os aracnídeos que, com certeza, habitam o interior das panelas daquela cozinha sujo-imunda pegou a tábua de madeira sofrida e descascada pelo martelo ferino de carne, colocou sobre ela um dos quatro pedaços daquela raiz tão saborosa. Pensou em escolher um nome singular, havia ficado admirada com toda a beleza daquela domesticidade.
Rente ao dedo, os movimentos de subida e decida daquela cerra desmantelavam a cebola em fatias que beiravam o invisível.
Naquela cozinha quente-abafada consumia-se em nervos, pois depois de ter coberto o seu corpo com a água da bica, a última coisa que queria era sentir-se molhar em suor.
No decorrer do movimento da faca observou o liquido que escorria do tempero e era absorvido pela madeira. Percebeu então a sintonia atenuante entre aqueles dois objetos da natureza. Na mesma velocidade que seu corpo esquentava e derretia a, cebola se consumia em suor. Suor esse que certamente não adivinha do calor nem muito menos da ansiosidade decorrente de uma duvida: será que ela seria bem preparada para agradar certas papilas gustativas? (a cozinheira apesar de enxergar a beleza do ato, desacreditava na benevolência da cebola). Suor esse que, provavelmente, decorria do desespero que sentia ao perceber sua existência despedaçar-se, sabe-se lá para que.
Na medida em que o cheiro de limpeza da menina ia embora sendo substituído pelo odor decorrente do suor, a cebola exalava aquele seu hálito característico que provoca tanto temor.
Os olhos dela já marejados ardiam e fecharam-se, por um momento o porquê e a beleza do chorar ao cortar cebola foi compreendido no seu mais fino sentido. Ficou encantada com a capacidade que aquele vegetal tinha em condensar toda a sua tristeza naquele vapor.
O sofrimento da cebola foi tanto que seus olhos ainda fechados queimavam. Levantou da cadeira bruscamente, debruçou-se na pia e deixou a água corrente passar por entre seus dedos para que os olhos pudessem tocar.
Nada podia fazer, o ardor e a agonia tornaram-se insuportáveis. Foi na exatidão desse instante que a dor da cebola tornou-se sua, lágrimas correram pelo seu rosto até encontrarem o ralo.

terça-feira, 6 de maio de 2008

Nos meu 80 anos (senti)

Da progenitora dessa grande loucura.


"Na velhice sentimos muitas decepções. Porque com o passar do tempo, nos sentimos sem força, sem coragem, sem ideal. Os acontecimentos trazem grandes decepções e sofrimentos.

As pessoas acham que na velhice são pessoas sem competência, sem capacidade para resolver seus problemas.

Não sabendo que a experiência da vida mostra a grande capacidade do tempo vivido.

O sofrimento na velhice é muito grande, porque sentimos a falta de amor, de carinho e de compreensão.
Não sabendo os filhos que na velhice não se pode ficar na solidão, sem amparo e sem carinho.




Aqui fica esta mensagem para meus filhos.


Itapema, 21 de outubro de 2007"

Yêdda Carvalho Britto Silva

sexta-feira, 18 de abril de 2008






tão infima ao teus pés

inebriada com tua cinzenta beleza






ah... baianidade taximetrada

terça-feira, 15 de abril de 2008

o que restou da poesia do passado

Palavras são lâminas
faca de dois gumes
Mais afiadas que essas que cortam legumes

Tenho palavras a falar
pra gritar,cortar,sangrar
No poder uma arma astuta
que doi mais na garganta de quem as prende
do que no ouvido que as escuta

é,
quem cala
se arrepende.

...


Me embreaguei,
Bebendo aos poucos
pequenos goles.
Deixava que cada gota se unificasse a minha saliva
Sabor que não enjôo,
Mas qual a bebida?

Tive de repente,
saudade da bebida que estava bebendo.
Tive saudade
e tentei lembrar que gosto me faltava
Não era doce,
Tão pouco amarga.

Sabor de silêncio que não falava
apenas urrava
os gemidos sordidos
de quem quer calar.

O meu prazer é fugaz
e se desfaz em meio aquoso

fui procurando entre copos e móveis
e me deparei....
com a fadiga fálica
de um outro alguem

...


Esse reflexo lunar faz com que ela me chame para olhá-la
Noites de lua cheia na cidade.
Se faz em mim
o ar campestre.
Por entre prédios de alto-baixo nível
e folhagens dos arvoredos que restam,
te vejo

Ó nobre luz vermelha,
áurea de sol
Ares em dós
Em dores sós,
Solidão.

Se o lado escuro da lua não fala sobre o mesmo,
Falar-te-ei
Desse lado que não vês,
nunca viu e nem irá os olhos tocar,
Dessa desluminosidade que só a mim consome.
Porque o coelho sorridente quer mostrar
só o que brilha, que ilumina
te iluminar